Oxalá Oxalá
Abra meus olhos num dia!
Quero sonhar com o batuque de um domingo
Quero ouvir o atabaque sozinho
Sentindo o suor em labor
Oxalá Oxalá
Abra meus braços num dia!
Quero sonhar com o batuque amigo
Quero ouvir o seu cantar soltinho
Sentindo o pulsar de seu braço esplendor
Oxalá Oxalá
Abra meu peito num dia!
Quero sonhar com o batuque alegrado
Quero ouvir o teu cantar sincopado
Sentindo o samba num pé de dor
Oxalá Oxalá
Abra minhas pernas num dia!
Quero parir um batuque menino
Quero sorrir vendo o filho da tribo
Sentindo o negro de meu ventre fervor
domingo, 4 de outubro de 2009
Açai
Sou puta
Eu sei
Sempre soube
De galho em galho
galho os chifres alheios
Produzo as dores nos peitos
E não me arrependo depois
Sempre soube
que esse amor não me caberia
e que minha vida assim seria
que não sou a fina flor.
No começo
sonhava com uma vida mansa
bonequinhos esperança
e seu lindo olhar sutil
Mas com o tempo
transformei-me numa fera alada
Não espero a demorada alçada
pois tenho medo da dor
............................
Agasalhei-me em colos vis
Debrucei-me em braços viris
Mas afastei-me nos espaços mil
Não quero a dor
Também não quero o amor
Então, por favor, entenda
que a fina flor murchou.
Eu sei
Sempre soube
De galho em galho
galho os chifres alheios
Produzo as dores nos peitos
E não me arrependo depois
Sempre soube
que esse amor não me caberia
e que minha vida assim seria
que não sou a fina flor.
No começo
sonhava com uma vida mansa
bonequinhos esperança
e seu lindo olhar sutil
Mas com o tempo
transformei-me numa fera alada
Não espero a demorada alçada
pois tenho medo da dor
............................
Agasalhei-me em colos vis
Debrucei-me em braços viris
Mas afastei-me nos espaços mil
Não quero a dor
Também não quero o amor
Então, por favor, entenda
que a fina flor murchou.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
Voz Negra
Aos meus cabelos que crescem...
Tentaram...e como tentaram...mas a voz negra não calou.
Ela aludiu nas trevas
nos tambores abafados
Achatados nas madeiras frias
das senzalas dos cafés
Dos Tambus firmes
Dos Guingengues rápidos
Das violas que soavam
no ritmo do bamba
Foi assim ele criado
nas caladas das fazendas
O grito firme de um negro
Solitude de uma fé
Formou-se o Samba Paulista
desconhecido de muita gente
Os batuques resistiram
e formaram nossa gente
Das danças prazerosas
a Umbigada surgiu
Os pares celebravam a vida
E o branco se aturdiu
Tentaram...e como tentaram...mas a voz negra não cala.
Do Jongo, da Capoeira e do Lenço
Todas as manifestações renasciam
Salvando aquele povo negro
que jamais esqueceria
Oh, minha África, minha África querida
Canto aqui na terra nova
A minha ode à revelia
São Paulo cresce...
Cresce aqui no meu coração
Trago a ela minha vida
contada por uma unção
O povo banto já deixou plantado
a semente da tradição
O que fazemos está latente
É o nosso Samba-Canção
Tentaram...e como tentaram...mas a voz negra grita!
Tentaram...e como tentaram...mas a voz negra não calou.
Ela aludiu nas trevas
nos tambores abafados
Achatados nas madeiras frias
das senzalas dos cafés
Dos Tambus firmes
Dos Guingengues rápidos
Das violas que soavam
no ritmo do bamba
Foi assim ele criado
nas caladas das fazendas
O grito firme de um negro
Solitude de uma fé
Formou-se o Samba Paulista
desconhecido de muita gente
Os batuques resistiram
e formaram nossa gente
Das danças prazerosas
a Umbigada surgiu
Os pares celebravam a vida
E o branco se aturdiu
Tentaram...e como tentaram...mas a voz negra não cala.
Do Jongo, da Capoeira e do Lenço
Todas as manifestações renasciam
Salvando aquele povo negro
que jamais esqueceria
Oh, minha África, minha África querida
Canto aqui na terra nova
A minha ode à revelia
São Paulo cresce...
Cresce aqui no meu coração
Trago a ela minha vida
contada por uma unção
O povo banto já deixou plantado
a semente da tradição
O que fazemos está latente
É o nosso Samba-Canção
Tentaram...e como tentaram...mas a voz negra grita!
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Política não tem cor, minha filha!
A cada dia descobrem mais uma do nosso Excelentíssimo Senhor José Sarney...
Porém, cansada de ouvir sobre a corrupção branca, fui procurar sobre os nossos representantes negros atuais. Deparei-me com uma notícia nada admirável:
Netinho de Paula, agora vereador de São Paulo (observação importante: um dos mais votados), foi cotado como o que mais se ausentou na Câmara Municipal de São Paulo.
Aí, Exu diz:
- Oh, preto safado!
E eu retruco:
- Mas, vem cá. Porque você não diz pro Sarney "Oh branco safado!"
E ele finaliza:
- Ué...não dá no mesmo não...
Fiquei lembrando de uma conversa com uma amiga que dizia que deveríamos xingar as pessoas usando a palavra "branco" de forma pejorativa - Seu branco! Assim como o fazem com o "negro" ou "preto".
Mas como um substantivo (ou adjetivo - porque a palavra "branco" é carregada de sentidos que não condiz apenas com seu significado etmológico) que ainda hoje tem tanto valor, em diversas esferas, pode tornar-se depreciativo?
Será que se chegasse no Senado e gritasse pro Sarney "Seu branco!" ele entenderia tudo o que sinto por ele? Do jeito que a coisa anda, poderia até receber um "Obrigada" como resposta.
O fato é que Exu e eu decidimos que vamos deixar a política de lado, nesta discussão, já que, ela tem sua raça própria: Os desonestos.
Porém, cansada de ouvir sobre a corrupção branca, fui procurar sobre os nossos representantes negros atuais. Deparei-me com uma notícia nada admirável:
Netinho de Paula, agora vereador de São Paulo (observação importante: um dos mais votados), foi cotado como o que mais se ausentou na Câmara Municipal de São Paulo.
Aí, Exu diz:
- Oh, preto safado!
E eu retruco:
- Mas, vem cá. Porque você não diz pro Sarney "Oh branco safado!"
E ele finaliza:
- Ué...não dá no mesmo não...
Fiquei lembrando de uma conversa com uma amiga que dizia que deveríamos xingar as pessoas usando a palavra "branco" de forma pejorativa - Seu branco! Assim como o fazem com o "negro" ou "preto".
Mas como um substantivo (ou adjetivo - porque a palavra "branco" é carregada de sentidos que não condiz apenas com seu significado etmológico) que ainda hoje tem tanto valor, em diversas esferas, pode tornar-se depreciativo?
Será que se chegasse no Senado e gritasse pro Sarney "Seu branco!" ele entenderia tudo o que sinto por ele? Do jeito que a coisa anda, poderia até receber um "Obrigada" como resposta.
O fato é que Exu e eu decidimos que vamos deixar a política de lado, nesta discussão, já que, ela tem sua raça própria: Os desonestos.
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(Des)Honestidades Políticas
quarta-feira, 1 de julho de 2009
A espera nunca alcança
Quem espera
leva rasteira
de bobeira
faceira
...........................
To no ponto de ônibus
To na fila do banco
To no partido político
To no movimento feminista
E espero, espero, espero...
E nada acontece neste mundo
É só deserto
É mato (mas não santo!)
.......................
Eh manhê, não diz pra eu parar
pra ficar sossegado
sossego é que nem pato n’água
boiando morto no rio!
Quero correr sem fronteira
sentir o ventinho no olho...
E se tropeçar
caio de cara
caio bonito
.......................
cê faz curativo, jurema?
leva rasteira
de bobeira
faceira
...........................
To no ponto de ônibus
To na fila do banco
To no partido político
To no movimento feminista
E espero, espero, espero...
E nada acontece neste mundo
É só deserto
É mato (mas não santo!)
.......................
Eh manhê, não diz pra eu parar
pra ficar sossegado
sossego é que nem pato n’água
boiando morto no rio!
Quero correr sem fronteira
sentir o ventinho no olho...
E se tropeçar
caio de cara
caio bonito
.......................
cê faz curativo, jurema?
terça-feira, 30 de junho de 2009
De Mari à Mariana
Não sei como aconteceu...
De início, chamava-se Mariana
Boca grande, peito enorme...enorme também eram os seus olhares diante de todos.
Das contradições que dizia em aula, me identifiquei.
Crescia em mim sua magia.
Não entendia sua fala, sua cor e seu ódio.
Também não entendia o seu amor, os seus filmes das sessões da tarde e suas frivolidades.
De peça em peça, formamos o nosso quebra-cabeça.
...............
De Mariana à Mari,
Construímos nossos portos!
Descobri que também tinha uma cor,
E era a mesma da dela
Descobri também que tinha cabelos,
E eram os mesmos dos dela
Descobri que tinha amor,
Mas será que ela soube disso?
O que será que ela descobriu de mim ou de si?
.....................
Transformou-me em amor e ódio, ao mesmo tempo.
Nos transformamos em uma só.
Nossos opostos nos satisfaziam.
E aprendi a amar uma mulher, aprendi a desejá-la.
E com o amor,
veio a posse...
E com a posse,
as neuroses...
E com as neuroses,
o tédio...
E com o tédio...
o esquecimento do nome
....................
De Mari à Mariana,
Agora estamos assim...
As almas gêmeas estão distantes
pelos pequenos defeitos que nos separaram....
Fugimos das terríveis personas de nossas vidas.
.........................
Sonho com peitos, com bocas e cores,
Tenho cabelos crespos que me impedem de sorrir.
De Mariana à Mari à Ma à nada...
E como dói esse nada!
De início, chamava-se Mariana
Boca grande, peito enorme...enorme também eram os seus olhares diante de todos.
Das contradições que dizia em aula, me identifiquei.
Crescia em mim sua magia.
Não entendia sua fala, sua cor e seu ódio.
Também não entendia o seu amor, os seus filmes das sessões da tarde e suas frivolidades.
De peça em peça, formamos o nosso quebra-cabeça.
...............
De Mariana à Mari,
Construímos nossos portos!
Descobri que também tinha uma cor,
E era a mesma da dela
Descobri também que tinha cabelos,
E eram os mesmos dos dela
Descobri que tinha amor,
Mas será que ela soube disso?
O que será que ela descobriu de mim ou de si?
.....................
Transformou-me em amor e ódio, ao mesmo tempo.
Nos transformamos em uma só.
Nossos opostos nos satisfaziam.
E aprendi a amar uma mulher, aprendi a desejá-la.
E com o amor,
veio a posse...
E com a posse,
as neuroses...
E com as neuroses,
o tédio...
E com o tédio...
o esquecimento do nome
....................
De Mari à Mariana,
Agora estamos assim...
As almas gêmeas estão distantes
pelos pequenos defeitos que nos separaram....
Fugimos das terríveis personas de nossas vidas.
.........................
Sonho com peitos, com bocas e cores,
Tenho cabelos crespos que me impedem de sorrir.
De Mariana à Mari à Ma à nada...
E como dói esse nada!
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