- Lá fora? Como assim?
- No mundão aí...Lá, onde eu não posso ir.
- Continua como o mundo daqui. Mesma coisa.
- Mesma coisa?
- Acho que sim...
Com o coração apertado, mas uma vez ela deixava o local de trabalho.
A pergunta do aluno não lhe saía da cabeça. "Como que tá o mundo lá fora....lá fora?". Para ela, o fora parecia a mesma coisa que o dentro, no reverso. A sensação de aprisionamento, o sufoco, a claustrofibia irritante estava em toda a parte. Liberdade aqui fora? Em que sentido, que não vejo, pensava...
Em todas as reuniões pedagógicas e mesmo na boca dos próprios meninos ouvia a palavra liberdade como trunfo do bom comportamento e de uma boa estadia naquela prisão. Mas, qual liberdade eles ganhariam? Qual liberdade alguém poderia ter?
Pensando sobre a contraditória liberdade, ela entrou em um pequeno beco perto de sua casa, para cortar o caminho. Já era noite e não tinha ninguém para passar junto a ela. Como o pensamento na tal liberdade era jogado em seu ouvido todos os dias, resolveu cortar pelo beco. Liberdade em decidir.
Foi então que, assim que terminava o trajeto rápido do beco, deparou-se com três homens encapusados que surgiam como o vento, levando todas suas espectativas positivas. O primeiro que chegou junto a ela, já mostrou a arma na mão direita para intimidá-la. Ela tentou desviar, mas deparou-se com o segundo, que segurou seu braço, dizendo:
- Vamos com calma, nenêm...
Ela tentou gritar, mas o terceiro a agarrou por trás, tapando sua boca, enquanto os outros reviravam sua bolsa, jogando para fora todos os materiais de ensino, imprestáveis.
Uma pequena lágrima sai de seu olho esquerdo, liberdade em decidir que perdera, caindo na mão do terceiro homem. Assim que esse sente a pequena redenção tocar em sua mão, tira rapidamente as mãos do rosto da mulher. Ela se vira, tentando olhar, enquanto ele também tenta, mas apenas os olhos marejados da mulher é que podem ser visto pelo pequeno feiche de luz, refletido pela rua de trás.
Assim que o homem vê os olhos amedrontados, grita:
- Para tudo! Solta ela agora, maluco!
O outro homem, sem entender, continua segurando a mulher pelo braço e pergunta:
- Você tá louco, cara? Que é isso? Tá com medo de mulher?
- Não, mas ela é minha professora.
Todos ficam estáticos. Liberdade assistida, provisória. Ela, então, sorri. Mas ninguém pode ver seu sorriso. Liberdade negada. Timidamente, ela tenta se aproximar dele. Todos concentem, sem mesmo entender a situação. Ela tira o capuz do rosto do homem. O feiche de luz já reflete em seus olhos. Homem garoto. Homem aluno. Ela diz:
- Roberto...
Tenta falar mais, mas sua boca se fecha em prantos. Abraçam-se. Os outros homens saem, reclamando palavras jogadas ao vento, onde cada vez mais se ouve o menos.
Os dois saem do beco e já podem se ver. Ela, um pouco mais velha, já com rugas, mas com a mesma alegria de antes; A mesma ousadia de um tempo em que professor era tratado como louco. Ele, mais alto, mais homem, mas com o mesmo olhar manhoso de antes.
Eles se olham, se tocam. Riem por alguns instantes. Ele a toma nos braços e um beijo surge entre raios de luzes artificiais. Liberdade consentida provisória. Entre beijos e risos, ela se lembra da casa, do marido e do filho que esperam pela janta. Liberdade negada.
Um último beijo. Um último desejo.
"Aonde você vai? Me passe o telefone? Como te encontro, então?"
Um sopro de vento frio que a faz desaquecer o coração. Liberdade vigiada. Olha para os lados, a procura de alguém que não vê. Suspira. Ao olhar novamente os olhos do menino homem, lembra-se da conversa da manhã, com o aluno na prisão. Liberdade procurada. Lembra-se da pergunta e, surpreendentemente, grita:
- Uma merda!
O menino homem fica sem entender. Ela sai, dizendo apenas um tchau involuntário. Quem é a merda? Ou o merda? Ele nunca iria entender. Ela nunca quis entender. Mas entendeu.
Liberdade inexistente...
A pergunta do aluno não lhe saía da cabeça. "Como que tá o mundo lá fora....lá fora?". Para ela, o fora parecia a mesma coisa que o dentro, no reverso. A sensação de aprisionamento, o sufoco, a claustrofibia irritante estava em toda a parte. Liberdade aqui fora? Em que sentido, que não vejo, pensava...
Em todas as reuniões pedagógicas e mesmo na boca dos próprios meninos ouvia a palavra liberdade como trunfo do bom comportamento e de uma boa estadia naquela prisão. Mas, qual liberdade eles ganhariam? Qual liberdade alguém poderia ter?
Pensando sobre a contraditória liberdade, ela entrou em um pequeno beco perto de sua casa, para cortar o caminho. Já era noite e não tinha ninguém para passar junto a ela. Como o pensamento na tal liberdade era jogado em seu ouvido todos os dias, resolveu cortar pelo beco. Liberdade em decidir.
Foi então que, assim que terminava o trajeto rápido do beco, deparou-se com três homens encapusados que surgiam como o vento, levando todas suas espectativas positivas. O primeiro que chegou junto a ela, já mostrou a arma na mão direita para intimidá-la. Ela tentou desviar, mas deparou-se com o segundo, que segurou seu braço, dizendo:
- Vamos com calma, nenêm...
Ela tentou gritar, mas o terceiro a agarrou por trás, tapando sua boca, enquanto os outros reviravam sua bolsa, jogando para fora todos os materiais de ensino, imprestáveis.
Uma pequena lágrima sai de seu olho esquerdo, liberdade em decidir que perdera, caindo na mão do terceiro homem. Assim que esse sente a pequena redenção tocar em sua mão, tira rapidamente as mãos do rosto da mulher. Ela se vira, tentando olhar, enquanto ele também tenta, mas apenas os olhos marejados da mulher é que podem ser visto pelo pequeno feiche de luz, refletido pela rua de trás.
Assim que o homem vê os olhos amedrontados, grita:
- Para tudo! Solta ela agora, maluco!
O outro homem, sem entender, continua segurando a mulher pelo braço e pergunta:
- Você tá louco, cara? Que é isso? Tá com medo de mulher?
- Não, mas ela é minha professora.
Todos ficam estáticos. Liberdade assistida, provisória. Ela, então, sorri. Mas ninguém pode ver seu sorriso. Liberdade negada. Timidamente, ela tenta se aproximar dele. Todos concentem, sem mesmo entender a situação. Ela tira o capuz do rosto do homem. O feiche de luz já reflete em seus olhos. Homem garoto. Homem aluno. Ela diz:
- Roberto...
Tenta falar mais, mas sua boca se fecha em prantos. Abraçam-se. Os outros homens saem, reclamando palavras jogadas ao vento, onde cada vez mais se ouve o menos.
Os dois saem do beco e já podem se ver. Ela, um pouco mais velha, já com rugas, mas com a mesma alegria de antes; A mesma ousadia de um tempo em que professor era tratado como louco. Ele, mais alto, mais homem, mas com o mesmo olhar manhoso de antes.
Eles se olham, se tocam. Riem por alguns instantes. Ele a toma nos braços e um beijo surge entre raios de luzes artificiais. Liberdade consentida provisória. Entre beijos e risos, ela se lembra da casa, do marido e do filho que esperam pela janta. Liberdade negada.
Um último beijo. Um último desejo.
"Aonde você vai? Me passe o telefone? Como te encontro, então?"
Um sopro de vento frio que a faz desaquecer o coração. Liberdade vigiada. Olha para os lados, a procura de alguém que não vê. Suspira. Ao olhar novamente os olhos do menino homem, lembra-se da conversa da manhã, com o aluno na prisão. Liberdade procurada. Lembra-se da pergunta e, surpreendentemente, grita:
- Uma merda!
O menino homem fica sem entender. Ela sai, dizendo apenas um tchau involuntário. Quem é a merda? Ou o merda? Ele nunca iria entender. Ela nunca quis entender. Mas entendeu.
Liberdade inexistente...
1 gritos:
Texto belo como sempre!
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