
Sempre gostei de Funk.
Um dia desses perguntei para uma amiga de onde vem o funk carioca. Ela não soube dizer ao certo, mas disse que ouvimos (nós, brasileiros ouvintes da indústria cultural de massa)pela primeira vez com Claudinho e Buchecha. Já o funk erótico começa com o Bonde do Tigrão.
Conversávamos sobre isso porque outra amiga nossa estuda o funk carioca e os discursos das funkeiras. Ela estava, e ainda está, receosa com a discussão, porque tem medo de compartilhar do senso comum burguês/universitário de que o funk carioca é símbolo da violência sexual contra a mulher e todas essas bobageiras que eles dizem.
O Funk, assim como o samba e qualquer outra manifestação negra, é colocado no saco do descaso, misturado com um tempero de hipocrisia e finalizado com um teor de superioridade alheia. É assim que eles produzem reportagens, teses de mestrado e manifestações "ditas" feministas contra o Funk. Mas, será que algum dia eles tiveram o real interesse em aprender sobre o que é Funk?
Ao que parece, responder a questões como: Quem somos? De onde viemos? Quando vamos morrer? são discussões de extrema complexidade, que rendem teorias milenares, enquanto as tradições alheias são respondidas a cajadadas, com exclamações e tudo o mais! Por que algumas comunidades africanas cortam o clitóris das mulheres, ainda meninas? PORQUE SÃO MACHISTAS! OPRIMEM AS MULHERES! Viu, muito fácil, sem grandes problemas...
Neste sentido, o Funk, manifestação artística negra, portanto de favelado, marginal, prostituta, deve ser crucificado, para, talvez, ser ressuscitado e em três dias renovado, como nas canções que Marcelo D2 faz para que a rede Globo posssa veicular.
Mas, dentro dessa discussão tão complexa, há uma figura que reluz entre o certo e o errado, o belo e o feio, o burguês e o marginal, o nome dela é Tati Quebra Barraco. O fenônemo Tati, como dizem na Alemanha (sim, na Alemnha, boy. Você estudou geografia, portanto, sabe onde fica e o tipo de gente que vive por lá) é um problema ainda não resolvido. E não apenas um problema para a mídia, mas também para os militantes, os vigilantes do peso, etc.
O mundo pergunta:
Como uma negra, pobre, gorda pode cantar sua própria música, dizendo o que bem entende? Quem ela pensa que é? Quem ela pensa que é? Quem ela...
Fiquei me perguntando por muito tempo sobre isso. Como ela conseguiu tudo isso? Como ela conseguiu respeito de diversas classes sociais? De diversas nações? Tati quebra Barraco é uma das mulheres mais faladas nas teses sobre Funk e não apenas nas telinhas da dona neusa. Como isso pôde ter acontecido?
Acho que encontrei minha resposta hoje, visitando o blog "Um que tenha":
http://umquetenha.org/uqt/?p=6133
O blog é fantástico! O cara disponibiliza álbuns brasileiros para downloads. Você encontra alguns que são raríssimos e eu, quase sempre, encontro o que procuro. O fulano, criador do blog, teve vários problemas com direitos autorais, mas, o blog ainda está de pé.
A questão é que sempre que eu quero algum álbum de mpb (e sabemos que música popular brasileira não é sinônimo de popular, mas sim da elite que acha que sabe o que é ser popular) vou direto para o blog e baixo o álbum. Agora, quando eu quero algum álbum mais subversivo, digamos, como um "bonde do tigrão", então eu vou ter que procurar outros blogs que me forneçam este tipo de som. Sim, é uma crítica ao blog, mas não uma grande crítica, porque vejo que o esforço do fulano em postar álbuns mais "populares marginais" é grande. Agradeço o esforço!
Bem, estava com o meu enteado em casa, fazendo a lição de sua escola: colorir as borboletas que remetiam ao poema "As Borboletas" de Vinicius de Moraes e foi então que tive a idéia de baixar o cd da Adriana Calcanhotto (Adriana Partimpim) que tem uma versão musicada do poema. Assim que o encontrei no blog, vi um comentário assim:
Giancarlo disse:
7 de novembro de 2009 às 21:57
taí…
Tati é brega, pop periferia, favelada, etc…(!!!) e o que mais?
mas essa “chic” eu acho tão chata quanto…
que seria do azul se todos gostassem do amarelo…
Depois de rir muito (porque não compartilho de tudo sobre a Adriana Calcanhotto, mas acho que tem algumas músicas que não dá!) pensei que ele poderia ter remetido seu comentário a algum álbum de Tati no próprio blog. Achei estranho, mas fui procurar. E, voilá, encontrei o álbum "Boladona" de 2004 e 104 COMENTÁRIOS SOBRE ELE!!!
(Sempre que um álbum é muito bem cotado pelos internautas, aparecem muitos comentários. Eu mesma já vi uns 20 poucos, mas 104??)
A maioria dos comentários eram depreciativos. Muitos deles perguntavam ao dono do blog, fulano, sobre isso. Eles gostariam de saber o que se passou. O que aconteceu para que aquela negra, gorda e favelada empretecesse um blog tão branquinho como o "Um que tenha"?
Os internautas marcaram seu território: música popular brasileira é um termo para designar músicas brasileiras ouvidas pela elite social. As culturas brasileiras não têm espaço no blog "Um que tenha".
Mas, paradoxalmente, o álbum de Tati Quebra Barraco ocupou um dos maiores espaços de discussão no blog. E por que isso? Por qual razão eles querem falar de Tati Quebra Barraco? Por que ela incomoda tanto?
Justamente porque ela ocupou o espaço que era deles. Ela está em todos os ouvidos brasileiros, sem distinção de cor, sexo, idade ou religião, doa a quem doer. Ela está na Alemanha, ela está nas Universidades, ela está no "Um que tenha"
Tati Quebra Barraco fez, a seu modo, a revolução. E vão dizer que não?
Paspalhos, engulam a Boladona!
Um dia desses perguntei para uma amiga de onde vem o funk carioca. Ela não soube dizer ao certo, mas disse que ouvimos (nós, brasileiros ouvintes da indústria cultural de massa)pela primeira vez com Claudinho e Buchecha. Já o funk erótico começa com o Bonde do Tigrão.
Conversávamos sobre isso porque outra amiga nossa estuda o funk carioca e os discursos das funkeiras. Ela estava, e ainda está, receosa com a discussão, porque tem medo de compartilhar do senso comum burguês/universitário de que o funk carioca é símbolo da violência sexual contra a mulher e todas essas bobageiras que eles dizem.
O Funk, assim como o samba e qualquer outra manifestação negra, é colocado no saco do descaso, misturado com um tempero de hipocrisia e finalizado com um teor de superioridade alheia. É assim que eles produzem reportagens, teses de mestrado e manifestações "ditas" feministas contra o Funk. Mas, será que algum dia eles tiveram o real interesse em aprender sobre o que é Funk?
Ao que parece, responder a questões como: Quem somos? De onde viemos? Quando vamos morrer? são discussões de extrema complexidade, que rendem teorias milenares, enquanto as tradições alheias são respondidas a cajadadas, com exclamações e tudo o mais! Por que algumas comunidades africanas cortam o clitóris das mulheres, ainda meninas? PORQUE SÃO MACHISTAS! OPRIMEM AS MULHERES! Viu, muito fácil, sem grandes problemas...
Neste sentido, o Funk, manifestação artística negra, portanto de favelado, marginal, prostituta, deve ser crucificado, para, talvez, ser ressuscitado e em três dias renovado, como nas canções que Marcelo D2 faz para que a rede Globo posssa veicular.
Mas, dentro dessa discussão tão complexa, há uma figura que reluz entre o certo e o errado, o belo e o feio, o burguês e o marginal, o nome dela é Tati Quebra Barraco. O fenônemo Tati, como dizem na Alemanha (sim, na Alemnha, boy. Você estudou geografia, portanto, sabe onde fica e o tipo de gente que vive por lá) é um problema ainda não resolvido. E não apenas um problema para a mídia, mas também para os militantes, os vigilantes do peso, etc.
O mundo pergunta:
Como uma negra, pobre, gorda pode cantar sua própria música, dizendo o que bem entende? Quem ela pensa que é? Quem ela pensa que é? Quem ela...
Fiquei me perguntando por muito tempo sobre isso. Como ela conseguiu tudo isso? Como ela conseguiu respeito de diversas classes sociais? De diversas nações? Tati quebra Barraco é uma das mulheres mais faladas nas teses sobre Funk e não apenas nas telinhas da dona neusa. Como isso pôde ter acontecido?
Acho que encontrei minha resposta hoje, visitando o blog "Um que tenha":
http://umquetenha.org/uqt/?p=6133
O blog é fantástico! O cara disponibiliza álbuns brasileiros para downloads. Você encontra alguns que são raríssimos e eu, quase sempre, encontro o que procuro. O fulano, criador do blog, teve vários problemas com direitos autorais, mas, o blog ainda está de pé.
A questão é que sempre que eu quero algum álbum de mpb (e sabemos que música popular brasileira não é sinônimo de popular, mas sim da elite que acha que sabe o que é ser popular) vou direto para o blog e baixo o álbum. Agora, quando eu quero algum álbum mais subversivo, digamos, como um "bonde do tigrão", então eu vou ter que procurar outros blogs que me forneçam este tipo de som. Sim, é uma crítica ao blog, mas não uma grande crítica, porque vejo que o esforço do fulano em postar álbuns mais "populares marginais" é grande. Agradeço o esforço!
Bem, estava com o meu enteado em casa, fazendo a lição de sua escola: colorir as borboletas que remetiam ao poema "As Borboletas" de Vinicius de Moraes e foi então que tive a idéia de baixar o cd da Adriana Calcanhotto (Adriana Partimpim) que tem uma versão musicada do poema. Assim que o encontrei no blog, vi um comentário assim:
Giancarlo disse:
7 de novembro de 2009 às 21:57
taí…
Tati é brega, pop periferia, favelada, etc…(!!!) e o que mais?
mas essa “chic” eu acho tão chata quanto…
que seria do azul se todos gostassem do amarelo…
Depois de rir muito (porque não compartilho de tudo sobre a Adriana Calcanhotto, mas acho que tem algumas músicas que não dá!) pensei que ele poderia ter remetido seu comentário a algum álbum de Tati no próprio blog. Achei estranho, mas fui procurar. E, voilá, encontrei o álbum "Boladona" de 2004 e 104 COMENTÁRIOS SOBRE ELE!!!
(Sempre que um álbum é muito bem cotado pelos internautas, aparecem muitos comentários. Eu mesma já vi uns 20 poucos, mas 104??)
A maioria dos comentários eram depreciativos. Muitos deles perguntavam ao dono do blog, fulano, sobre isso. Eles gostariam de saber o que se passou. O que aconteceu para que aquela negra, gorda e favelada empretecesse um blog tão branquinho como o "Um que tenha"?
Os internautas marcaram seu território: música popular brasileira é um termo para designar músicas brasileiras ouvidas pela elite social. As culturas brasileiras não têm espaço no blog "Um que tenha".
Mas, paradoxalmente, o álbum de Tati Quebra Barraco ocupou um dos maiores espaços de discussão no blog. E por que isso? Por qual razão eles querem falar de Tati Quebra Barraco? Por que ela incomoda tanto?
Justamente porque ela ocupou o espaço que era deles. Ela está em todos os ouvidos brasileiros, sem distinção de cor, sexo, idade ou religião, doa a quem doer. Ela está na Alemanha, ela está nas Universidades, ela está no "Um que tenha"
Tati Quebra Barraco fez, a seu modo, a revolução. E vão dizer que não?
Paspalhos, engulam a Boladona!
1 gritos:
Adorei, Larissa!
Beijos!
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